Rocha Maia Pintor Naïf Brasileiro

Rocha Maia

Rocha Maia
(1947- )
Nacionalidade: br Brasil


No alto da colina, depois da curva,
no final da reta chegamos ao éden.
A paisagem é o céu e uma planície sem fim onde o olhar repousa sereno.

As visitas ao amigo Rocha Maia são sempre um momento de grande contentamento. Na palavra jocosa da chegada, os cães pulando alegremente em volta, na entrada pelo florido jardim, indo inspecionar a horta primorosa, compartilhando a generosa e saborosa cozinha. Às vezes sento logo no banco de madeira debaixo do já frondoso flamboyant e escuto a musicalidade de tudo.

Rocha Maia é suingue, é um brinde à Vida!

Sempre me senti bem em cada recanto do seu lar, do seu ser.
Temos em comum o olhar risonho sobre o mundo, que dá às conversas um ritmo veloz com todos os matizes da paleta dos humores, passando pelo riso espontâneo, indo da anedota à paródia, do nonsense ao trocadilho, com subentendidos, picardia e picante, uma pitada de humor negro sofisticado e também sarcasmo para os dias de chuva.

Conheci o Atelier Luz Dourada ainda pequeno para acolher a crescente obra de Rocha Maia, sempre propiciada pela atmosfera de amor e paz com os que convivem neste sítio idílico para o desenvolvimento da Arte.

As instalações cresceram rápido, ao ritmo da sua fome de pintar, do seu desejo imperioso em contar histórias, todas, com total liberdade, prazer e sobretudo com o tempero divino que ele coloca na sua vida

O Luz Dourada é mais do que um ateliê. Lá é o seu lar!
Ao entrar escuto ao longe num som analógico um acordeom, a voz familiar de Piaf, às vezes são fados, ou uma ópera simplesmente.
Esta conversa como todas as nossas foi salpicada de muita graça e risos.

Testemunho Consciente de Ingenuidade
Claudia Leal - Quando você nasceu?
Rocha Maia – (respondendo com um ar bem comportado) Vim ao mundo em 1947, logo depois do final da II Grande Guerra. Nasci num lar bem estruturado. Tive carinho, educação e conforto. Meus pais eram exemplos de civismo e disciplina. Mas devo confessar que nasci disléxico! Não gostava de estudar, não entendia bem o que era prá entender, e a matemática era para mim uma “má-temática”.
CL- O que você fazia então?
RM – Ficava em devaneios....sonhava com as histórias que eu gostava muito de inventar, com enredo, personagens, cenários!
Eu tinha brinquedos, vários, mas adorava juntar folhas, gravetos e caquinhos de azulejos coloridos e transformava nos exércitos em combate ou feirantes vendendo frutas e legumes.
Pegava qualquer coisa: Caixas de fósforo vazias, latas e muitas bugigangas viravam tanques, navios, caminhões ou cavalos.
CL – Estou vendo em imagens tudo funcionando, em movimento, você daria um bom engenheiro ....
RM – É mesmo... Certa vez, uma simples tampa de caneta com raspas de cabeça de fósforos virou um canhão que atirava de verdade.
CL – Você já me falou muito do seu Avô Domingos, ele pintava, não?
RM - Ficaria um dia inteiro contando detalhes sobre ele .... Ah...Vovô Mingote. Ele pintava com muito carinho, mas sem qualquer criatividade.....Nunca s...


Artigos:

O Testemunho Cosciente da Ingenuidade


Entrevista com a Dramaturga e Diretora de Teatro Cláudia Leal


MUITO ALÉM DOS RÓTULOS por Augusto Luitgards, Ph.D¹


Augusto Luitgards, Ph.D¹
Até o surgimento e consequente reconhecimento do valor da obra artística do
funcionário da Alfândega Francesa, Remi Rousseau, no final do século XIX, a pintura
popular só despertava o interesse de etnógrafos e historiadores sociais. Não havia uma
apreciação generosa ou, no mínimo, isenta, no sentido de identificar nela traços de
originalidade, de beleza, de empenho criativo, muito menos de detectar referenciais
estéticos.
Por não ter formação acadêmica que lhe permitisse adotar os cânones artísticos vigentes
à época que o credenciassem a ser acolhido pelos meios artísticos de prestígio, a
trajetória de Rousseau não foi exatamente fácil entre seus contemporâneos, filiados
esteticamente ao requinte formal do Impressionismo, por exemplo.
O primeiro fracasso de ingressar no circuito artístico foi a recusa de suas obras na
exposição do Salão de Paris, evento que, durante algumas décadas, foi o único com
reconhecimento e prestígio na França. Esse salão acontecia no Museu do Louvre e era
acessível apenas aos membros da Real Academia de Pintura e Escultura. A reação de
Rousseau àquela negativa foi participar, em 1885, do Salão dos Recusados, exposição
paralela ao Salão de Paris. Posteriormente, ele expôs em várias edições do Salão dos
Independentes.
A propósito do Salão dos Recusados, é bom lembrar que ele atraiu um grande público
ávido por execrar as obras expostas e não por apoiar os artistas. Ironicamente, após o
estranhamento inicial, o Salão passou a atrair público tanto quanto o de Paris e a história
se encarregou de reconhecê-lo como um marco da pintura moderna.
Nessa dinâmica, o desejo de Rousseau de ser reconhecido como artista começava a
viabilizar-se. Alguns artistas e intelectuais, dentre eles Pissarro, Gauguin, Alfred Jarry e
Apollinaire, voltam seus olhares para a obra dele e reconhecem nela valores antes
ignorados. Posteriormente, Picasso reconhece os méritos desse artista original. Foi nesse
período que o termo nau foi empregado pelo poeta e dramaturgo Alfred Jarry, para
designar o trabalho de Rousseau. Essa denominação tinha um caráter zombeteiro e
pejorativo, da mesma forma que as atribuídas a outros importantes movimentos
estéticos como o Fauvismo, o Impressionismo e o Cubismo, por exemplo.
Por extensão, o termo foi utilizado para denominar a arte de todos os artistas que não
tiveram acesso formal aos ensinamentos técnicos da pintura. Posteriormente:
admiradores e detratores da pintura naïf atribuíram-lhe os mais diversos rótulos:
primitiva, instintiva, primitiva moderna, ínsita, inocente, primitivista, neo-primitivista,
autodidata, instantânea e folclórica. A despeito de qualquer nomenclatura adotada, o
que conta, de fato, é que há, dentre os pintores naïfs, artistas de incontestes talento e
sensibilidade.
Os avanços nos estudos sobre artes plásticas, em especial os realizados sobre a arte naif
não admitem mais que as diferenças entre os artistas populares e eruditos alimentem
1 Doutor em Linguística Aplicada, pela UFMG, e Especialista em História da Arte, pela PUC (MG).

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uma perversa e arrogante hierarquia entre eles. Ambos são capazes de produzir
trabalhos admiráveis, dotados de beleza contagiante, que nos conduzem por verdadeiros
caminhos de encantamento e nos aproximam, na fruição estética, do sublime.
Sem a pretensão de cristalizar cânones ou ser exaustivo, menciono algumas das
características da arte naïf que são, de maneira geral, o uso de elementos da cultura oral
popular, a espontaneidade, o emprego de cores vivas, a autonomia do espaço pictórico,
a estilização, o poder de síntese e o descompromisso com aspectos formais acadêmicos
tais como a perspectiva, a composição e a representação de cores reais.
É evidente que muita coisa mudou na estética naïf desde as pinturas realizadas nas grutas de Lascaux, na França, há dezenas de milhares de anos, por artistas que podem ser considerados os fundadores dessa estética.
Avançando no tempo, encontramos, como já mencionado neste texto, a figura de Henri
Rousseau, que alcança reconhecimento de sua arte após insistentes ações afirmativas.
Foi essa quase militância que abriu caminhos para uma arte que não podia deixar de ser
compartilhada com o mundo. Atualmente, há galerias de arte e museus especializados
em arte naïf em várias partes do mundo.
No Brasil, foi constatada a presença de artistas naïfs ativos já no século XVIII, sendo
que eles só começam a ser reconhecidos a partir dos anos 50 do século passado.
Atualmente, trabalhos de Antônio Poteiro, Elza O.S., Heitor dos Prazeres, José Antônio
da Silva, Rosina Becker do Valle, Agostinho Batista de Freitas, Chico da Silva, Gerson
de Souza, Iracema Arditi, Alcides Santos, Iaponí Araújo, José de Freitas, Eli Heil,
Waldomiro de Deus, Miriam, Gilvan Bezerril, Clóvis Júnior e Crisaldo Morais têm sido
objeto de desejo de colecionadores e apreciadores da arte. A criatividade dos artistas
nacionais levou o Brasil a compor com a França, o Haiti e a Itália o grupo de países de
maior expressão nesse estilo.
Em terras brasileiras, o prestígio da arte naïf só tem aumentado. Os pintores de temas
populares têm tido suas obras expostas em galerias especializadas, participam de uma
prestigiosa bienal dedicada a eles, na cidade de Piracicaba (SP). As obras desses artistas
também podem ser vistas em quatro museus especializados em arte naïf nas cidades de
Assis (SP), São José do Rio Preto (SP), Penápolis (SP) e Rio de Janeiro (RJ).
Na atualidade, percebemos que o abismo que outrora separava a arte popular naíf da
arte erudita transformou-se, graças aos avanços nos estudos sobre artes plásticas, em
fronteira permeável, que viabiliza a aproximação das características eruditas e
populares, beneficiando ambas.
Naturalmente que, ao longo da trajetória da arte naïf algumas de suas características se
transformaram. Os temas, por exemplo, deixaram de ser inspirados exclusivamente nas
tradições do meio rural e passam a integrar as vivências das pessoas dos meios urbanos,
o engajamento político, a crítica mordaz e o resgate das tradições populares esmaecidas
pelas tentativas de imposição de uma falsa homogeneidade cultural.
A propósito dos artistas filiados à estética naïf, convém lembrar que esses também
passaram a ser vistos de outra maneira. Devido ao fato de os pioneiros não possuírem
instrução formal, principalmente no campo das artes plásticas, criou-se uma mística
próxima à "teoria do bom selvagem", de Jean-Jacques Rousseau. Segundo tal mística, o

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pintor naïf é sempre simples, bom, ingênuo, de pouca ou nenhuma escolaridade e
desconhecedor dos mais básicos valores estéticos.
Sabemos que não são raros os casos de artistas que, apesar do contato e até mesmo
formação erudita, mantêm-se fiéis ao universo naïf, isolando-se dos modismos
artísticos. Há, ainda, que se considerar que é praticamente impossível manter-se
"ingênuo" ou "puro" em uma época em que todos os atores sociais têm acesso a
múltiplas fontes de informação. Na prática, o que se observa é que há, dentre esses
pintores, tanto os que desconhecem os cânones acadêmicos quanto os que os conhecem
mas abrem mão deles, preferindo os ditames da própria sensibilidade na produção de
suas obras. Estereótipos e idealizações à parte, é necessário que reafirmemos que
ingênua é somente a temática das desses homens e mulheres, cujas obras nos encantam.
Além da diversidade de perfis dos artistas naïfs, que reflete na diversidade de temas das
obras produzidas por eles, devo mencionar que as novas gerações de pintores têm a seu
dispor recursos materiais muito mais diversificados e amigáveis do que os tiveram seus
históricos precursores, que registraram, magistralmente, grandes felinos, bisões, cervos
e touros na gruta de Lascaux, há 17 mil anos. Essa diversidade de recursos aumentou,
exponencialmente, a qualidade e as possibilidades de realização das obras produzidas
pelos artistas.
Onde está Rocha Maia?
A obra de Rocha Maia é herdeira legítima de uma tradição iniciada há 17 mil anos, nas
já mencionadas grutas de Lascaux, na França. Ele, como seus longínquos antepassados,
tem a preocupação de registrar sua visão de mundo; também como os pintores de
Lascaux, ele pinta sem amarras canônicas. Em ambos, as referências não estão em
qualquer compêndio sobre pintura, mas na obstinada busca pessoal no sentido de dar o
melhor de si na produção de obras originais e de beleza contagiante.
Ao dar continuidade a uma arte que está na origem da criatividade humana, Rocha Maia
o faz de uma maneira muito peculiar e empenha-se em traduzir, com muita graça, o
imaginário popular brasileiro. Esse empenho resulta em identificação imediata de todas
as classes sociais com os quadros do artista, cuja beleza lírica dispensa explicações.
Em seus trabalhos mais recentes, ele registra, além de rememorações minuciosas e
transbordantes de um saudosismo saboroso de cenas presenciadas em sua juventude,
contundentes críticas sociais (nem um pouco ingênuas!).
Há quadros do artista em que ele ocupa a superfície pictórica com uma série de
pequenas cenas que integram uma narrativa detalhada. Em "Balança mas não cai", obra
de 0,90 x 1,45m, há toda a problemática da precariedade da moradia. Curiosamente,
nesta obra, a ausência de uma das paredes do edifício o transforma em verdadeira
vitrine das mazelas sociais.
Em obra mais recente, o artista busca na memória e reconstitui o chamado "circuito da
Gávea", onde havia, no passado, as corridas competitivas de automóveis de corrida
então chamados baratinhas, que antecederam os atuais grandes prêmios
automobilísticos.


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As lembranças da infância estão plasmadas na obra "Visão do trapezista". Tela
copiosamente preenchida com animais, artistas e o público e dotada de uma narrativa
pictórica preciosa.
É marcante no artista o recurso de utilizar cores quentes em combinações pouco usuais,
o que sugere uma constante experimentação com as possibilidades de sua paleta. Não
posso deixar de mencionar o cuidado do artista em situar os observadores em lugares
estratégicos para observar suas pinturas. Em "Balança mas não cai", o misto de edifício
e vitrine sequestra nosso olhar e nos faz ver cada uma das pequenas cenas que integram
o quadro-denúncia pictórica.
Em "Circuito da Gávea" e "A visão do trapezista", o artista metaforicamente nos iça e
nos leva a interagir com as obras como se as estivéssemos sobrevoando.
Inquieto, como um menino arteiro, o artista não para de experimentar novas técnicas e
materiais. Sua mais nova aventura envolve pintar sobre tapetes corrugados, empregando
tinta relevo e glitter. Os tubos de tinta assumem, às vezes, a função de pincéis. Essa
técnica possibilita-lhe conferir volumes diferenciados a cada um dos elementos
presentes na superfície pictórica.
A propósito de tapetes, é impossível não traçarmos um paralelo entre os tapetes
pintados por Rocha Maia e aqueles presentes em "O livro das Mil e uma noites".
Ambos, cada um a sua maneira, nos levam a lugares misteriosos, cheios de encanto e
deslumbramento. No caso específico de embarcarmos metaforicamente nos tapetes de
Rocha Maia, quebramos a dicotomia passado/presente e fazemos viagens retrospectivas
para temas e contextos caros em vários momentos de sua vida pessoal e nos
defrontamos com os problemas sociais cujas soluções deveriam ser propósito de todos
nós. Essa experiência nos contagia e nos estimula a continuar a bordo desses quadros-
tapetes o mais possível. Afinal, essas viagens nos fazem exercitar algo tão necessário ao
mundo: a reflexão.
Em Rocha Maia, encontramos um artista protagonista de sua obra. Essa condição dota-o
de coerência estilística e temática, capacita-o a desvencilhar-se dos eventuais clichês da
arte naïf habilita-o a produzir uma obra singular e o transforma em um artista que está
além dos rótulos engessadores. Ele pinta inspirado em nosso rico imaginário popular,
porque tem responsabilidade social e porque ama o que faz. E pronto!



No alto da colina, depois da curva,
no final da reta chegamos ao éden.
A paisagem é o céu e uma planície sem fim onde o olhar repousa sereno.

As visitas ao amigo Rocha Maia são sempre um momento de grande contentamento. Na palavra jocosa da chegada, os cães pulando alegremente em volta, na entrada pelo florido jardim, indo inspecionar a horta primorosa, compartilhando a generosa e saborosa cozinha. Às vezes sento logo no banco de madeira debaixo do já frondoso flamboyant e escuto a musicalidade de tudo.

Rocha Maia é suingue, é um brinde à Vida!

Sempre me senti bem em cada recanto do seu lar, do seu ser.
Temos em comum o olhar risonho sobre o mundo, que dá às conversas um ritmo veloz com todos os matizes da paleta dos humores, passando pelo riso espontâneo, indo da anedota à paródia, do nonsense ao trocadilho, com subentendidos, picardia e picante, uma pitada de humor negro sofisticado e também sarcasmo para os dias de chuva.

Conheci o Atelier Luz Dourada ainda pequeno para acolher a crescente obra de Rocha Maia, sempre propiciada pela atmosfera de amor e paz com os que convivem neste sítio idílico para o desenvolvimento da Arte.

As instalações cresceram rápido, ao ritmo da sua fome de pintar, do seu desejo imperioso em contar histórias, todas, com total liberdade, prazer e sobretudo com o tempero divino que ele coloca na sua vida

O Luz Dourada é mais do que um ateliê. Lá é o seu lar!
Ao entrar escuto ao longe num som analógico um acordeom, a voz familiar de Piaf, às vezes são fados, ou uma ópera simplesmente.
Esta conversa como todas as nossas foi salpicada de muita graça e risos.

Testemunho Consciente de Ingenuidade
Claudia Leal - Quando você nasceu?
Rocha Maia – (respondendo com um ar bem comportado) Vim ao mundo em 1947, logo depois do final da II Grande Guerra. Nasci num lar bem estruturado. Tive carinho, educação e conforto. Meus pais eram exemplos de civismo e disciplina. Mas devo confessar que nasci disléxico! Não gostava de estudar, não entendia bem o que era prá entender, e a matemática era para mim uma “má-temática”.
CL- O que você fazia então?
RM – Ficava em devaneios....sonhava com as histórias que eu gostava muito de inventar, com enredo, personagens, cenários!
Eu tinha brinquedos, vários, mas adorava juntar folhas, gravetos e caquinhos de azulejos coloridos e transformava nos exércitos em combate ou feirantes vendendo frutas e legumes.
Pegava qualquer coisa: Caixas de fósforo vazias, latas e muitas bugigangas viravam tanques, navios, caminhões ou cavalos.
CL – Estou vendo em imagens tudo funcionando, em movimento, você daria um bom engenheiro ....
RM – É mesmo... Certa vez, uma simples tampa de caneta com raspas de cabeça de fósforos virou um canhão que atirava de verdade.
CL – Você já me falou muito do seu Avô Domingos, ele pintava, não?
RM - Ficaria um dia inteiro contando detalhes sobre ele .... Ah...Vovô Mingote. Ele pintava com muito carinho, mas sem qualquer criatividade.....Nunca soube como ou quando ele iniciou a pintura amadora, sei porém que ele chegou a morar em Portugal quando era solteiro e que viajou a Paris algumas vezes. ( Silêncio prolongado)
CL - E ele era também...
RM – (voltando de longe...) Era uma personalidade típica de baixinho, um vendedor de sucesso numa indústria. Diariamente, de mala na mão e visitava um montão de clientes. Andava sem parar. E eu atrás!
CL – (Risos) Fazendo?
RM – Ah! a mim cabia a tarefa de carregar uma das pastas contendo os mostruários de barbantes. Ele tinha o maior orgulho de me apresentar aos clientes : ( imitando a voz) “Este é meu secretário!”
Chegou a Diretor Geral de Vendas!
CL - ... quantas lembranças intensas, uma vivência rica e interessante entre duas gerações
RM – E ainda tem mais, uma vez por mês vovô me levava ao Cineac Trianon para ver os seriados de sucesso. Eu era menino e naquele tempo o cinema era engraçado; pagava uma só entrada e podia ficar lá dentro o dia todo. Os filmes não paravam de passar sem intervalo!
CL –Você recebeu muita influência do cinema, da TV?
RM –Sim, os filmes mostravam os dramas da guerra, e assistia muitos filmes seriados de mocinho-e-bandido e de comédias fantásticas; meus heróis na infância nada tinham de parecido com Macunaíma.
Eles eram os humoristas, Charles Chaplin (Carlitos) e Laurel e Hardy (O Gordo e o Magro); e os caubóis eram Roy Rogers e seu cavalo Trigger e Cisco Kid e seu cavalo Diablo.
CL – Você vivia no mundo da Lua....
RM – (buscando um definição mais específica, menos genérica)
Na minha cabeça não tinha lugar para pensar racionalmente.
CL - Você sofria com isto?
RM – Que nada! As professoras me adoravam e os colegas... nunca me foram hostis,eu era pacato e disciplinado..., além de desligado..... aparentemente deste mundo.E o que eu mais gostava era ver no boletim aquelas enormes notas escritas em preto DEZ...,em Comportamento e Trabalhos Manuais algumas outras matérias, até mesmo cercadas por muitas notinhas vermelhas. Aquele documento mais parecia uma bandeira rubra negra. Todo ano eu passava raspando; creio que foi assim que me tornei flamenguista.
CL – (risos) Que descrição eloquente e apaixonada do boletim! Tive vontade de ver
RM - Não guardei nenhum exemplar... Mas por felicidade, veja o que a querida avó Olga guardou num caderno de quando tinha uns seis anos.
(ele se levanta de um pulo só e com tal entusiasmo para buscá-lo numa caixa de madeira)
CL - E o que tem de tão importante neste caderno?
RM - Duas histórias completas de caubóis, com direito a ilustração detalhada!! Aventuras de Kid e Cid escritas pela minha avó que me ouvia com dedicação narrando o significado dos desenhos e paciente anotava tudo. Foi o meu primeiro “trabalho profissional” iconográfico; ela pagou “gorda remuneração” para que comprasse... guloseimas.
CL – (Manipulando as folhas amareladas do caderno precioso) Quanta riqueza de detalhes e que sábia tua avó! Imagino o prazer que sentiu vendo seus desenhos valorizados por um adulto.
RM- É...minha linda velhinha (silêncio)
CL – Reconheço que você nunca deixou de ser o mesmo sonhador e criativo menino de outrora.
RM – É um bem precioso: Aprendi como é salutar e poderoso saber fazer uso da imaginação. Palavra mágica: - Imagem-em-ação, imaginação! Construir imagens positivas daquilo que se quer, com criatividade, e depois lutar para realizar o desejo! Imaginar com entusiasmo significa querer com vontade; e querer é poder!

CL - Tua arte é o testemunho! E olhando bem, teus quadros são como cinema mudo, é.. um diaporama... O tema principal dá o mote, e cada detalhe tem vida própria, por trás do infindo universo cromático, fervilham ações compondo o retrato falado de uma época que é a de sempre, a do viver juntos. Enquanto existir pessoas juntas há movimento, festa, balbúrdia
E um dos detalhes que adoro, chega a ser um segredo, são as colagens de olhos, escritos, ou um rosto pequenino tirado da revista que aparece por baixo das tintas, do retrato do personagem de um apresentador na televisão, de um folião mascarado, que vão compondo a ação global, e aliás toda a cena poderia continuar pela paredes como um afresco ....

RM – (me cortando com veemência) Entende agora porque tenho vontade de fazer teatro...?
CL – Vamos então! (risos) mas voltando à tua pintura quero confessar que meus quadros preferidos são o “Circo das artes” cuja criação acompanhei desde a mandala central, e “Dos pés à cabeça é Lampião” pela audácia e explosão de vida!
Você se considera carioca como a ginga que transparece dos teus quadros com a alegre movimentação humana
RM – Este movimento que vive nas minhas nas pinturas narrando cada detalhe, esta riqueza vem dos temas que me saltaram aos olhos durante todos os anos de convívio pelo Brasil afora, e em Brasília que tem uma mescla muito grande das nossas culturas de Norte a Sul!
CL – Mas lá dentro... carioca?
RM – Sim, mas nem um pouco carnavalesco!! Sabe que aos 18 anos, fui passar o feriado de carnaval na casa de Olga e Domingos, para fazer companhia aos velhos? Minha avó sempre foi fantástica, costurando e bordando..., coisas das mais criativas e esmeradas que podia haver.
O avô venceu na vida vendendo barbantes com dignidade e competência! E gostava de pintar por diletantismo, copiava as gravuras de calendários, seus quadros eram disputados pelos familiares e pelos amigos. Mesmo sem nenhuma fantasia...
No final de uma luta que durou muitos anos, ele me pediu deitado na cama prostrado pelo câncer, para pegar o seu material de pintura: cavalete, paleta, tintas e pincéis, que no canto do quarto clamavam por suas mãos. Meu avô não podia mais pintar. Sabia que não conseguiria fazê-lo. E tampouco eu!
Mas ele me pediu que executasse por ele algumas pinceladas sobre uma tela. Dizia: “- Vai ser fácil! Basta copiar a figura do calendário que está na parede.” terminei no início do ano seguinte; avô Mingote já havia partido. (silêncio)
CL – ...E o quadro?
RM - Ainda o tenho, é uma imagem: uma pequena rua de alguma cidade do nosso interior. Coisa simples. Cores desbotadas de rala tintura a óleo. (Emociona-se ao lembrar aqueles momentos!)
CL - Vamos falar da tua Arte agora. O teu percurso, tuas experiências. Você seguiu alguma escola, alguma formação, algum mestre da pintura te inspirou?
RM - Até tentei um academicismo..., mas pouco depois fiz meus primeiros vôos solitários, como autodidata. Fazia pintura artesanato em telhas francesas, casqueiros de árvores, palhas e cipós. E olha que vendia! Tentei o fantástico abstracionismo, mas não era bem o que queria. Tenho fascínio pelo mestre Manabu Mabe, pela força e o dinamismo da sua pintura. Não queria ter aulas com um professor de artes, me empolgava com esta busca do caminho próprio.
Nunca fui um estudioso de teoria ou história das artes, mas conhecia até bem o assunto pela convivência com os amigos do Rio.
CL - E aí teve aquela virada... Logo depois de completar vinte anos, buscando trabalho, você arrendou uma chácara, foi viver na roça, deu início ao que você chamou “retorno ao mundo primitivo”.
Trabalhou por mais de dez anos como agricultor no meio rural, e travou contato profundo com a vida rural.
RM – Por lá vivi os anos mais fantásticos de minha vida. Encontrei valores verdadeiros e eternos, na simplicidade, ingenuidade e naturalidade do ser humano.
CL – É mais comum encontrar pessoas que migraram para centros urbanos. Você não! Trilhou rumo inverso indo para o campo, mas um dia acabou retornando à cidade...
RM – Fui ser professor no CEM, em Teresópolis, uma escola modelo onde tive uma das maiores oportunidades de evolução profissional que me foi oferecida fora da vida artística pelo Prof. Carneiro. Mas a saudade daqueles tempos rurais me despertou a necessidade de contar histórias sobre os momentos que haviam marcado tão positivamente minha memória.
Entre a ingenuidade da criança e a simplicidade do homem do campo surgem as figuras dos primeiros negrinhos.
CL – Ah! Foi assim que eles vieram... eu os achei incríveis desde a primeira vez por serem só expressão corporal, e quando perguntei o porquê dos corpos negros sem nenhum detalhe, olhos, bocas...você respondeu que desta forma simplificavam a ação global.
RM - Guardo até hoje alguns quadros pintados em 1976 com negrinhos soltando pipa ou trabalhadores rurais colhendo abóboras.
CL - Nada mais naïf do que esses quadros.
RM- Nada (risos) Tem uma história ótima sobre meus começos; certo dia apareceu um cidadão que vivia na clandestinidade dos “anos de chumbo”, nunca soube seu nome... Ele encomendou um quadro de tamanho relativamente grande, queria uma tela com a temática do jogo de pelada de várzea, modalidade de futebol muito praticada no interior, nas praias e nos subúrbios.
CL - Não disse mais nada?
RM – Não. Ficou de passar um dia qualquer para pegar a encomenda. Preparei a tela, usei cores vivas, cheia de jogadas e dribles. Quando o cidadão reapareceu, estava ansioso para mostrar o trabalho e ele mostrou-se bastante contente com o que viu e foi logo perguntando:
-“Qual é o preço?”. Fiquei mudo. Eu nem sabia vender quadros! e como estava muito feliz por poder agradar o cliente, fui logo dizendo:
- “Nada não! É um presente!”
CL - Ele deve ter te achado ...bobo e ficado satisfeito, não?
RM – Que nada, ficou brabo! Ele olhou firme nos meus olhos, com a firmeza daqueles que sabem o que falam, e disparou:
- “Em hipótese alguma! Eu quero pagar. Sabe o motivo? Você é um artista e um dia vai ser reconhecido. Eu estou fazendo um investimento!” não me lembro do preço, mas foi um bom dinheiro que entrou. Nunca mais soube o paradeiro do comprador... nem do quadro. Quarenta anos já se passaram
CL – Que história emocionante. O tempo corre! Voa!.
E voltando ao presente, você me disse que este livro é o testemunho da sua trajetória artística, servindo de estímulo aos pintores naïfs jovens que assumam suas pinturas, com a liberdade e a vontade de afirmação de suas identidades artísticas, sem se preocuparem com o que a crítica vai dizer.
RM - Estou convencido de que o sentido anárquico do uso de pincéis e tintas, sem ter de seguir regras, leis ou escolas, só terá sentido na vida de um artista naïf quando ele souber interpretar e praticar o ensinamento contido nas palavras de Picasso –
“ O que você pensa que é um artista? Um idiota que só tem olhos quando pintor, só ouvidos quando músico, ou apenas uma lira para todos os estados de alma quando poeta, ou só músculos quando lavrador? Pelo contrário! Ele é simultaneamente um ente político que vive constantemente com a consciência dos acontecimentos mundiais destruidores, ardentes ou alegres e que se forma completamente segundo a imagem destes. Como seria possível não ter interesse pelos outros homens e afastar-se numa indiferença de marfim de uma vida que se nos apresenta tão rica? Não, a pintura não foi inventada para decorar casas. Ela é uma arma de ataque e defesa contra o inimigo.”
RM - Acredito que um artista naïf possa ser um primitivista puro, pode sim! Mas não poderá jamais ser um alienado, um mero executor de uma lírica pictórica incompatível com o tempo em que vive. A ingenuidade não o obriga a ser um bobo ou a servir como inocente útil aos interesses de terceiros. Não há mais lugar para uma ingenuidade burra e ignorante, de um purismo hipócrita. Nem mesmo os silvícolas aceitam na atualidade a condição de vida primitiva absoluta. Não acredito que, nos tempos da Internet, haja esquimós ou povos bosquímanos que possam estar distantes da dura realidade de pertencerem à aldeia global!
Se viver em condições de isolamento, para evitar uma contaminação cultural, fosse uma exigência de validação de autenticidade da ingenuidade artística, certamente a arte naïf estaria condenada ao desaparecimento. O que presenciamos hoje é exatamente o contrário.
Desde Henri-Julien-Félix Rousseau, o que se tem visto é o alargamento, a expansão e diversificação do universo da pintura naïf, dentro da qual uma única lei é ditada a todos que participam: autodidatismo e ausência de comando ou de regras em qualquer esfera da atividade ou organização artística.
CL – Você foi morar em Brasília 1979. Foi professor de Administração e Consultor de empresas. Como funcionário público federal na CODEVASF viajou durante muitos anos e conheceu a maioria dos estados brasileiros e suas variadas culturas. Essas vivências profissionais proporcionaram uma visão ampla e alimentaram em detalhes ricos sua produção pictórica, sempre em evolução, de forma conscienciosa.
Que outra boa recordação guarda do seu trabalho na Codevasf?
RM – Me sinto orgulhoso por ter sido o mentor da criação e curador do Espaço Cultural da Codevasf, em 1998/1999, onde já houve centenas de exposições, eventos artísticos e diversas oficinas de criatividade dentro do programa de qualidade de vida para os empregados.
Maior orgulho e felicidade, porém, é poder ver em plena realização um sonho que eu tive no ano de 2000, e que, desde 2008, é oficialmente reconhecido pela Diretoria Executiva da Codevasf: o Salão de Artes Plásticas "Brincando com Arte", um projeto destinado a valorizar os artistas jovens no Distrito Federal e entorno. Graças à atual curadora Nilma Leite Nogueira, a edição de 2010 do Salão ultrapassou 10.000 jovens artistas envolvidos no evento.
CL- E depois do inusitado prêmio na primeira edição da Bienal de pintura lusitana, você viajou para conhecer suas raízes portuguesas.

RM – E graças à recepção do artista português Jorge Miguel Pinho Almeida, a quem tenho hoje como um sobrinho, despertei para uma saudade genética que jamais pensei existir. Passei a valorizar na minha obra a importância das influências lusitanas na cultura brasileira, colocando nos detalhes das telas características bem humoradas e emocionadas de crítica política e social; eu desdramatizo o cotidiano, ou enalteço os laços culturais luso-brasileiros na série “Descoberta de Portugal” que lembra a azulejaria.
Este livro mostra um pouco minha forma de trabalhar, a convivência familiar, as relações sociais e profissionais, sempre em torno das artes, no Brasil e no exterior... Quero afirmar a importância do Atelier Luz Dourada, um espaço aberto e livre, onde produzo minhas pinturas com as quais já fui mais de quarenta vezes premiado.
CL- Parabéns! Esta publicação é a coroação de uma obra ao longo de mais de 45 anos de atividade autodidata, durante a qual você assumiu uma singular e importante identidade artística, atualmente reconhecida no exterior.
RM - Porém minha esperança maior, meu desejo é que este livro sirva como instrumento de iluminação para entusiasmar a tantos quantos queiram experimentar e enveredar-se pelo caminho das Artes, como criancinhas, sem preconceitos de qualquer ordem, assumindo a própria ingenuidade consciente do ato de criar.
CL- E assim será!
FIM
Claudia Leal – Dramaturga e Diretora de Teatro


O narrativo em forma de pintura


Após ler o livro Ingenuidade Consciente (A3 Gráfica e Editora, 140 páginas), surge uma pergunta: o que diferencia a arte de Rocha Maia? Afinal, um artista plástico, para conquistar um espaço numa sociedade tão competitiva como a atual, precisa oferecer aos críticos, companheiros de profissão e público em geral, algo de altamente significativo. Carioca de nascimento, radicado em Brasília, DF, o criador tem como uma das matrizes do seu raciocínio visual as próprias experiências de infância, seja no ensino fundamental ou nas brincadeiras de crianças. O importante é que isso é trabalhado sem um tom memorialista passadista, mas com dinamismo nas imagens e no uso das cores. As perspectivas são as mais diversas. Sejam planos mais distantes ou próximos, unificam-se pelo desejo de contar uma história ou pelo menos uma parte dela. Esse aspecto se torna evidente quando é realizado o corte longitudinal de um prédio e podemos ver as múltiplas cenas em cada apartamento. Surge a crônica do cotidiano, numa espécie de Nelson Rodrigues visual no sentido de se desenvolver um olhar muito atento ao entorno. Na verdade, cada cubículo traz em si uma maneira de lidar com o rotineiro, algo bastante complexo ainda mais numa sociedade como a brasileira com a sua conhecida diversidade. A ideia de passado, presente e futuro também se faz muito presente como um pensamento a acompanhar o artista. Se existe a pesquisa necessária para pintar aquilo que não existe mais, é igualmente manter os olhos bem abertos para aquilo que está ao redor e, somando esses fatores, a visualização de um futuro, igual ou distante do hoje. Visões superiores chapadas, numa espécie de panorâmica obtida num satélite, mas sem perspectiva, na criação de um planisfério muito pessoal, comprovam a capacidade de reproduzir as cenas, estabelecendo numerosos detalhes e, ao mesmo tempo, compondo padrões, essenciais para a harmonia almejada. Seja nas telas mais históricas ou nas mais criticas à modernidade ou ao precário sistema de saúde nacional, mantém-se em Rocha Maia a questão do narrativo como elemento fundamental de sua pintura. Ao contar seus relatos, introduz elementos visuais diferenciados, como as variações de perspectiva, que o colocam dentro do universo naif com uma mescla de inegável talento inato e louvável planejamento de carreira.

Oscar D’Ambrosio, doutorando em Educação, Arte e História da Cultura na Universidade Mackenzie, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. Integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).


Opiniões sobre o artista


Confirmo a arte de Rocha Maia. Gostei muito! Gostei muito das cores vivas, de cada uma das idéias! Sua pintura mostra o costume nordestino em cada obra!". Umazo Shinoda - Artista Plástico de Brasília -DF


Rocha Maia criou as obras para enriquecer a literatura com muita autenticidade e técnica. O artista plástico ousou das cores e colocou detalhes que permitem inúmeras leituras. Colocou-nos no contexto do agreste, do sertão e permitiu imaginar sensações no limite do virtual." Nancy Naômi Nishino - Crítica de Arte sobre o trabalho de ilustração do livro Rumo Reverso


Opinião de Editor
"..., o artista plástico Luiz Roberto da Rocha Maia transpôs para a tela uma interpretação magistral do texto (Livro Rumo Reverso). O resultado é uma fulgurante concepção visual do que a palavra quis registrar. A iconografia valoriza e embeleza a obra." Alarico O. R. Verano - Editor

Opinião de um escritor
"Sempre mostro aos meus visitantes os quadros de Rocha Maia que decoram a minha sala de visitas. Antes de qualquer comentário deles, me adianto: - Veja esse cara tocando bumbo... o braço dele não parece se movimentar? Quase ouço o ribombar do bumbo. – E aquela mulher: curvou-se, olhou e parece que vai entrar em casa novamente. – O cabo dessa enxada é grande assim, para mostrar que nós, lá do Nordeste, somos maiores do que a seca. – Aqui, nesta feira, há tantas cenas puras e verdadeiras que, confuso, fico sem saber qual a cena central do quadro. Na duvida, prefiro pensar que é uma festa. É! É isso ai! Esse quadro é uma festa! Mas, no caso particular da minha "pinacoteca", me transporto para dentro daqueles quadros. Sou um personagem que Rocha Maia, propositadamente, deixou invisível. Mas, me vejo lá. Dizer mais o que? É certo que quando eu conhecer artes plásticas, descobrirei outras maravilhas na pintura de Rocha Maia. Por enquanto, limito-me a observá-la e a me imaginar sendo um daqueles bonequinhos pretos, pretos que são os personagens, personagens com alma de sertanejo..." Francisco Bezerra Siqueira – Escritor - Brasília, outubro de 2006 –

Um pintor! Sim, um pintor que sabe transmitir magia e encantamento! Sempre me surpreendo positivamente com a obra de Rocha Maia, pessoa humana de grande criatividade espontânea e comunicação visual capaz de levar o público a fantásticos devaneios durante a visualização de seus quadros." Otoniel Fernandes Neto - Artista Plástico de Brasília - DF


Uma fonte de inspiração


"Rocha Maia tem o atelier numa varanda azul, onde é possível ver o sol nascendo. Rocha Maia, contador de histórias, mistura o mormaço festivo às molecadas do interior, com vibrantes amarelos, manchas marinhas, céus e árvores negras, ruas suspeitas de malandragem. Nenhum dos seus quadros precisa ser explicado para ninguém. O observador mais exigente encontrará sempre uma resposta dentro das próprias linhas e cores. E sempre encontrará uma resposta justa, completa, tranqüilizante." Marcos Pereira - março de 1976. Artista Plástico e Crítico de Artes da Revista Serrana e Jornal de Teresópolis


O reconhecimento do trabalho de Rocha Maia


Medalha 3º- Lugar - II Salão de Artes Plásticas ASSEMCO/1997, obra : “O Barquinho”.

Medalha 2 º- Lugar - XXIII Salão Riachuelo – Marinha do Brasil – 7º- Comando Naval/ DF 2001, obra: “ Juiz Ladrão”.

Menção Honrosa - XXVI Salão Brasília - Marinhas - Marinha do Brasil / 2001 , obra: “Armadilha Glacial” .


Menção Honrosa - Salão Tributo a Brasília – SESC Brasília DF / 2004 , obra : “ Brasília, o destino!”.


Medalha 3º Lugar - XXVII Salão Riachuelo – Brasília – DF- 2005 , obra “ Dignidade” .

Menção Honrosa - XXVIII Salão Riachuelo - Brasília - DF - 2006, obra " Meu Rio de Janeiro continua lindo!"

Prêmio Destaque-Aquisição -Bienal Naïfs Brasil 2006 - Piracicaba- SP - 2006, obras "500 Anos Antes" e "500 Anos Depois".

Menção Honrosa - Salão Brasília Marinhas - 2006 - DF , obra "MinhaGalera"

1º-Lugar Juri Popular - Salão De Artes Plásticas da Região dos Vinhedos - 2006 , Bento Gonçalves - RS, obra "O País das Panelinhas e seus ..."

1º Lugar - Naïf - Medalha de Ouro -Salão de Carnaval 2007, Associação Fluminense de Belas Artes - AFBA, Niterói / RJ, obra "São João na Fazenda"

3º Lugar - Medalha de Bronze - e Troféu Tema Melhor Retratado - 4º Salão da ABMA e Museu Histórico do Exército/ Forte de Copacabana, 2007, Rio de Janeiro, obra "Imagine"

2º Lugar - Medalha de Prata - Salão Antônio Parreiras 2007 - AFBA Niterói/RJ .

Troféu Destaque Criatividad, coletiva de artistas brasileiros- 2007, Galeria Mercedita Valdez - associação Yoruba de Havana / CUBA, obra " Caldeamento"

Premiado/ Selecionado - 1º Salão Internacional de Artes Plásticas de São João da Madeira 2007- Portugal , obra " Dos pés à cabeça é Lampião"

2º Lugar - Medalha de Prata - XXIX Salão Riachuelo 2007 - Marinha do Brasil - Brasília /DF - obra "Os Clientes Sumiram"

1° Lugar - Medalha de Ouro - Salão de Artes Plásticas da Escola Superior de Guerra 2007 - ESG - Rio de Janeiro/RJ - obra "Como era bom voar Varig!"

Menção Honrosa - Salão Cândido Portinari 2007, promovido pelo SESC/DF - Brasília / DF - obra " Meus tempos de criança"

1º Lugar - Medalha de Ouro Naïf no V Salão de Artes Plásticas da ADESG- Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra - Centro Cultural do Tribunal Regional do Trabalho - 2007 - Rio de Janeiro /RJ - obra "Os Heróicos Marujos do Estrela Dalva"

Menção Honrosa e Medalha classificatória entre os sete melhores na Modalidade Pintura no Salão de Artes Visuais do SINAP/AIAP 2007 - São Paulo / SP - Obra "Circo das Artes"

3º Lugar - Medalha de Bronze - Salão "Vinhos e Vinhedos" 2007 - TRT/RJ e Associação Brasileira de Sommeliers - Rio de Janeiro, Obra " Vindima"

Prêmio Especial do Juri- Salão de Artes do Clube Militar- 2007- Rio de Janeiro - Obra "Você sabe de onde eu venho? Venho do Verde, do Amarelo, do Azul cheio de estrelas"

1º Lugar - Medalha de Ouro - Salão Brasília/Marinhas - DF, Comando do 7º Distrito Naval - Marinha do Brasil - Obra "Bem-vindo Seu Cabral... Dois Meses Depois do Carnaval"

2º Lugar - Medalha de Prata - VI Salão de Artes Comemorativo ao Aniversário da Cidade de Niterói - RJ - 2007 - Obra "Malhação de Lulas"

ArtMajeur Silver Award 2007 - Virtual Art Gallery pelo website:

2° Lugar - Medalha de Prata - VI Salão de Artes Plásticas do Natal - 2007- AFBA Niterói / RJ - Obra "Tradições"

Medalha de Mérito Cultural Belas Artes 2007 - da Associação Fluminense de Belas Artes - pelo excelente desempenho do artista nos diversos salões promovidos em 2007.

Medalha de Ouro - Melhor paisagem do XXV Salão Oficial da AFBA 2008 - Niterói /RJ, obra "Transição"

Comendador Fluminense Mérito Cultural Belas Artes 2008, outorgada pela Câmara Municipal de Niterói e EFBA pela contribuição ao crescimento artístico, cultural e intelectual da cidade de Niterói - RJ

Selecionado Aquisição - Concurso Internacional de Artes Plásticas Chateau des Réaux - França - 2008 - Obra"Viva O Rei"

3º Lugar - Medalha de Bronze - XXXIII Salão Marinhas Brasília 2008, obra "Maramar Quadrado"

ArtMajeur Silver Award 2009 - Virtual Art Gallery pelo website:

3º Lugar - Medalha de Bronze - XXXI Salão Riachuelo - 2009, quadro "Se me atormenta a saudade, canto o Fado!"

Artista Convidado - II Salão Internacional de Artes Plásticas de São João da Madeira - Portugal - 2009 - Quadro " Unidade na adversidade"

Paleta de Ouro - Salão de Artes Plásticas da Escola Superior de Guerra - ESG / 2009 Rio de Janeiro, quadro "A-ver-o-mar"

Medalha de Ouro - 1°- Lugar Naif - Salão de Artes Plásticas da Liga da Defesa Nacional- TRT- Rio de Janeiro - 2009 - Quadro "O Vira em Belém"

Primeiro Lugar Naïf - Salão de Artes Plásticas de São José do Rio Preto /SP / 2009, Quadro "Cai fora que Coroné chegô na casa de Marquesa"

Primeiro Lugar - Juri Popular - Salão Internacional de Artes FIEMA 2010 - Bento Gonçalves /RS, quadro " Na Poluição do Mundo qual parte cabe a Arte?"

Primeiro Lugar - Aquisição - IV Salão de Artes Plásticas de São José do Rio Preto - 2011, quadro "Favela Tour - Welcome..."

Artista Convidado - Padrinho do Evento - Salão de Arte Ambiental FIEMA 2012 - Quadros "Favela noite" e "Favela dia", realizado em Bento Gonçalves/RS 2012


Opiniões críticas sobre o artista por Oscar D'Ambrósio


Rocha Maia



O domínio do espaço



Uma das principais funções da arte é comunicar ao observador um pensamento, seja ele de caráter mais político ou estético. O que não pode ocorrer num trabalho significativo é que ele passe indiferente ao receptor, fazendo com que não tenha nenhum tipo de emoção após contemplá-lo.

Rocha Maia foge a esse risco com sua obra plástica. Há um resultado final que agrada em duas dimensões. De um lado, existe a questão técnica, pelo uso de cores geralmente fortes e contrastantes, que conseguem transmitir justamente um certo estado de espírito.

Sua trajetória, iniciada na cidade do Rio de Janeiro, onde nasceu em 1º/11/1947 e desenvolveu sua técnica autodidata, tem o cotidiano como tema central e essencial. Começou a sua carreira aos 18 anos, mudando depois para a região rural de Teresópolis, próximo à Serra dos Órgãos.

Desde 1979, reside em Brasília, DF, onde montou o Atelier Luz Dourada, junto com a sua esposa, também artista plástica. Nessa cidade, atua ainda como diretor social da Sociedade dos Artistas Plásticos de Brasília. Em 2006, obteve a premiação de destaque na Bienal Naïfs do Brasil, organizada pelo SESC Piracicaba.

É relevante em sua produção a série Rumo Reverso, com 35 telas, sendo que 19 delas foram usadas como ilustrações do livro homônimo, de Francisco Bezerra Siqueira, lançado em 2002. Trata-se de um conjunto de trabalhos que reúnem as principais características do artista, como o uso das cores quentes, a presença vigorosa da terra e o uso de amplos céus abertos.

Tais particularidades se repetem e reafirmam em outros trabalhos, com a preocupação de oferecer um visual significativo associado a algum tipo de pensamento que alerte para as várias facetas de um Brasil repleto de contradições, tanto sociais como econômicas e culturais.

A arte de Rocha Maia não aliena, mas insere o receptor na realidade circundante. Trata-se de uma ponte para o mundo, uma espécie de portal que propicia visões de uma nação sempre pronta a oferecer surpresas, convivendo com a modernidade dos grandes centros urbanos e imagens de um passado em que o coronelismo ainda fala alto.

Estritamente em termos plásticos, a maneira como o artista utiliza o espaço da tela merece especial referência. Ele mostra uma maior facilidade no trato com a horizontalidade e se vale de largas faixas nas partes superior e inferior para estabelecer seu lirismo, muitas vezes marcado pela crítica social, pela ironia ao Brasil contemporâneo ou por um certo bom humor na forma de visualizar o cotidiano.

O grande mérito de Rocha Maia está justamente na forma como realiza suas composições e aproveita o espaço. Vale-se de tons de amarelo e vermelho, por exemplo, para criar os climas que deseja, dando a cada obra uma atmosfera peculiar, em que, muitas vezes o ser humano se vê ínfimo perante o ambiente, como se fosse um personagem consciente de seus limites perante a grandiosidade do mundo.

Após a premiação na Bienal de Piracicaba, principal evento nacional envolvendo a arte naïf, o desafio do pintor carioca radicado em Brasília é gerar, tanto pelo assunto como pela técnica, efeitos plásticos cada vez mais significativos em sua pintura no sentido de indagar o espectador, obrigando-o a pensar sobre o mundo em que ele habita. Atingir essa proposta é certamente o caminho para conquistas ainda maiores nos próximos anos.



Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).


Rocha Maia Naïf


Luiz Roberto da Rocha Maia - Nasceu no Rio de Janeiro, em 1947. Sua pintura é naïf. Artista plástico autodidata, ele prefere o cotidiano brasileiro como temática de suas obras.

Formado em Administração, pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas, durante 30 anos trabalhou para o Governo Federal brasileiro. Incentivou a criação de espaços culturais e foi curador de exposições por vários anos. Com seu entusiasmo, contribuiu para o surgimento do projeto do salão de arte, infantil e juvenil, conhecido como “Brincando com Arte”, já na 9ª edição, em Brasília.

Organizou diversas oficinas de criatividade, como parte de programas de marketing interno e de qualidade de vida para empresas. Foi consultor de empresas e professor do Curso de Administração.

Atualmente desenvolve projeto destinado a apoiar e valorizar talentos artísticos jovens.

Tem proferido palestras para divulgar a pintura naïf como instrumento de comunicação e de educação popular, bem como para melhoria da qualidade de vida nas empresas.

Nos últimos 33 anos, em Brasília, montou o ateliê aberto e livre com o sugestivo nome de “Luz Dourada”.
Cadastrado como Artista Profissional no DF, ele foi membro da Sociedade dos Artistas Plásticos de Brasília-DF. Atualmente é filiado ao Sindicato Nacional dos Artistas Plásticos – SINAP-ESP e ao Comitê da AIAP- UNESCO -Association Internationale des Arts Plastiques. É membro associado de várias entidades de arte e cultura, como: a Sociedade Valparaisense de Artistas Plásticos, em Valparaiso-GO; a Cooperativa de Actividades Artísticas ÁRVORE - Porto – Portugal; a Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa – Portugal; e a Associação Candanga de Artistas Visuais, em Brasília /DF.

Registrado no Cadastro de Entes e Agentes Culturais / FAC do Distrito Federal. Participou de centenas de exposições e salões de artes plásticas, nacionais e internacionais. Recebeu mais de quarenta premiações nacionais e internacionais.

Citado em diversos catálogos de artes plásticas, Rocha Maia tem obras expostas em galerias e museus tais como: Museu de Arte Naïf de São José do Rio Preto/SP; Museu MIDAN- Vicq, na França; acervo de obras premiadas na Bienal Naïfs do Brasil, do SESC/Piracicaba/SP; além de entidades e colecionadores no Brasil, Bolívia, Itália, USA, Cuba, França e Portugal.

Em 2008, recebeu a Comenda Fluminense de Belas Artes, pelos serviços relevantes prestados à arte e à cultura do Rio de Janeiro, no Grau de Comendador.

Em 2010, foi empossado como Acadêmico na Academia Brasileira de Belas Artes no Rio de Janeiro, Cadeira nº01, Patrono Frei Francisco Solano, Grau Livre.

Lançou no Brasil e na Europa catálogo próprio de arte intitulado “Ingenuidade Consciente – Rocha Maia, o domínio do espaço”, em 2011, comemorativo ao 50 anos de fundação da cidade de Brasília, com 140 páginas, bilíngüe, com o patrocínio do FAC - Fundo de Apoio à Cultura de Brasília/DF.

Atualmente reside em Rio das Ostras, litoral do Estado do Rio de Janeiro, onde está montando o ateliê.


Um presente - São João da Madeira Portugal 2007


Date: Thu, 01 Mar 2007 12:46:43 Amigo J. Miguel, a iniciativa que tive aqui, após recuperar o fôlego com a tua tão auspiciosa informação, foi colocar no som do computador o "Namorico da Rita", numa gravação com a interpretada de Amália Rodrigues. Levantei-me e iniciei alguns passos de dança. Os colegas de trabalho logo ficaram assombrados e riram muito. Nos abraçamos todos e fizemos uma boa comemoração. Afinal, nesta última semana, seu e.mail veio com a terceira boa notícia para minha vida artística. A primeira havia sido sobre um prêmio de Destaque de Criatividade que um quadro meu obteve em Havana, Cuba. A segunda, veio dando conta da Medalha de Ouro - 1°- Lugar Naïf, do Salão de Carnaval da Sociedade Fluminense de Balas Artes, em Niterói/Rio de Janeiro. Finalmente, a sua notícia, ser selecionado ... Portugal!!! Hoje mesmo estarei preparando as "malas", isto é, dar andamento ao processo de exportação temporária junto à alfândega para que me seja permitido enviar o quadro pelos Correios. No decorrer dos próximos dias, depois de receber a carta, dedicar-me-ei ao planejamento final da "mala". Para terminar, podes-me matar a curiosidade : o teu " j." é de...(?) Um forte abraço
Rocha Maia


Resumindo a arte de Rocha Maia


ROCHA MAIA

Olhar um quadro do pintor Rocha Maia, entrar
nele com coração aberto, se deixar levar pelas cores vibrantes, é tomar um banho de poesia, de juventude, de humor, de alegria irônica contagiosa. A vibração universal da arte está simples nos seus pincéis.
Regarder un tableau du peintre Rocha Maia, entrer dedans le coeur ouvert, se laisser entrainer par les couleurs vibrantes, c´est prendre un bain de poésie, de jeunesse, d´humour, d´allégresse/joie ironique et contagieuse. La vibration universelle de l´art est dans ses pinceaux.

Rocha tem o bom gosto de escolher os seus assuntos pictoriais dentro da realidade - quotidiana do ser humano, da vida simples, igual a um Cartier-Bresson - pai do fotojornalismo, que levou para nossos olhos, cenas do quotidiano, cem vezes vistas, sem percebê-las. Isto se chama ARTE.
Rocha a le bon goût de choisir ses sujets pictoriaux dans la réalité quotidienne de la condition humaine, de la vie simple, pareil à un Cartier Bresson – père du photojournalisme- qui nous a fait découvrir des scènes quotidiennes, cent fois vues mais jamais remarquées. Cela s´appelle Art.
Rocha Maia se inscreve nesta linha de cronistas, do dia a dia, da elegância sem nunca julgar... a realidade vivida pela humanidade. Retratista? Sim! Denunciador também, mas sem maldade.
Rocha Maia s´inscrit dans cette lignée de chroniqueurs au jour le jour, à l´élégance rare, sans jamais juger...la réalité vécue par le genre humain. Portraitiste qui dénonce mais sans méchanceté.
Rocha Maia é um pintor que sempre busca novas expressões artísticas através de colagens, esculturas..., para chegar de novo à Arte Naïf, que ele elevou a um patamar que ficara nas anais das artes brasileiras (museus) e no mundo.
Rocha Maia est un peintre qui recherche toujours de nouvelles expressions artistiques à travers de collages, sculptures pindoramas..., pour retourner ensuite à son Art Naif de prédilection., qui restera dans les annales de l´ art brésilien et du monde.
Já conhecido no exterior, Portugal e França por exemplo, ele demorou para acreditar no próprio talento, nas suas mãos que encantam a tela.
Déjà reconnu/connu à l´étranger- Portugal et France par exemple- Rocha a mis du temps à prendre conscience de son talent, à croire en ses mains qui enchantent les toiles.
As suas pinturas refletem também a serenidade da postura dele, frente à vida, sabendo valorizar a amizade e as relações humanas.
Ses peintures reflètent aussi la sérénité de sa posture face à la vie, sachant valoriser l´amitié et les vraies relations humaines. La langue de bois : il ne connait pas.
Com certeza ele já viveu no século das Luzes. Até tal ponto que agora ele esta pintando mandalas, o arte sagrado e existencial do Tibet.
Talvez o charme oriental da esposa dele - que também é pintora - tenha a ver com essa nova produção/pesquisa do seu autodidatismo.
Pour sur il a déjà vécu au siècle des Lumières. A tel point que, maintenant, il peint des Mandalas- l´art sacré et existentiel du Tibet. Il se peut que le charme oriental de son épouse- qui est aussi peintre- y soit pour beaucoup dans cette nouvelle production ,cher à son autodidactisme.
Para mim, Rocha Maia é um bandeirante que, através da arte, está sempre desbravando novos territórios da escrita pictural.
Pour moi, Rocha Maia est un chercheur, qui, à travers son art, nous fait découvrir de nouveaux territoires de l´écriture picturale.
Seu naïf não é bobo, não é do tipo tradicional popular, onde os elementos da composição se misturam até perderem a singularidade, como num “bobó de camarão”!
Son Naif n´est pas idiot/bebête, il n´est pas non plus traditionnel, où les éléments de la composition se mélangent jusqu´à perdre toute singularité.
Resumindo sua arte: "Tela que gostaria de ter na minha casa, sem enjoar! A isso se pode chamar: bom gosto!”
Pour résumer son art: « un tableau que j´aimerais avoir chez moi, sans me lasser de le contempler. Car il est toujours de bon goût. »

Alain Dhomé, fotojornalista e publicitário, nascido na França, tem nacionalidade Brasileira. Formado pela EFET, em Paris, produz e realiza reportagens desde 1987. Na Índia, onde viveu por vários períodos, na Venezuela, no Nepal, Marrocos e por vários países da Europa, além do Brasil, Alain realizou filmes documentários, escreveu e fotografou para várias matérias que foram publicadas na TV francesa e revistas como Geo, Terre Sauvage, The Observer, Stern, Paris-Match, Terra, Veja, UNB Revista, sendo parceiro da agência SIPA-Press.


Presença artística: Exposições e Salões, Palestras e Juri de Artes Plásticas


Exposições fora de Brasília / Distrito Federal


Clube Higyno- Teresópolis- RJ

1. Salão de Artes Plásticas- 1970

2. Individual- 1972 e 1973

3. Conjunta- 1977

Prefeitura Municipal de Teresópolis Sala de Turismo

1. Individual- 1975

2. Coletiva- 1978

Memorial CHESF – Paulo Afonso – BA

1. Individual – “Rumo Reverso” 2002

SESCSP - Piracicaba/SP

1. Bienal Naïfs do Brasil 2006 - ( Premiado Destaque Aquisição)
2. Bienal Naïfs do Brasil 2008 - Selecionado com dois quadros
3. Bienal Naïfs do Brasil 2010 - Selecionado com dois quadros

Universidade de Caxias do Sul - Campus Universitário da Região dos Vinhedos

1. Salão de Artes Plásticas da Região dos Vinhedos - 2006 , Homenagem a Mario Quintana , obra selecionada " O País das Panelinhas..." Premiado

2. Salão Nacional de Artes Plásticas "Itegrando o Meio Ambiente à vida" - 2007 . Selecionado

Fundação PROAMB/FIEMA Brasil

1. Salão Internacional de Artes FIEMA 2010 - Bemtp Gonçalves / RS - Premiado

Associação Fluminense de Belas Artes

1. Salão de Carnaval 2007 - Organização da AFBA- Niterói/RJ, obra "São João na Fazenda", Premiado

2. Salão Antônio Parreiras 2007- organização da AFBA - Niterópi /RJ, obra " Batalha Tupiniquim" Premiado

3. 6° Salão de Artes Comemorativo ao Aniversário de Niterói/ RJ, obra "Malhação de Lulas", Premiado

4. Salão Oficial de Artes Plásticas de Niterói - 2008, obra "Transição", Premiado

Museu Histórico do Exército e IBAMA - Forte de Copacabana

1. 4º- Salão do IBAMA - 2007 - Organização Centro de Artes Paumar, obra "Imagine", Premiado

Galeria Mercedita Valdez - Associação Yoruba de Havana - Cuba

1. Coletiva de artistas brasileiros - Brasil de Norte a Sul- 2007- obra "Caldeamento", Destaque

Rotary Club de São João da Madeira- Portugal

1. I Salão Internacional de Artes Plásticas de São João da Madeira - Portugal- 2007 , Selecionado e Premiado

2. IISalão Internacional de Artes Plásticas de São João da Madeira - Portugal - 2009, Artista Convidado.

3. Lançamento do livro "Ingneuidade Consciente" na Biblioteca Municipal - maio de 2011
Escola Superior de Guerra - ESG - Rio de Janeiro - RJ

1. Salão de Artes Plásticas da ESG 2007 - 1° Lugar - Medalha de Ouro

2. Salão de Artes Plásticas da ESG 2009 - Paleta de Ouro ALAP

Secretaria de Cultura de Limeira /SP

1. Salão Limeirense de Arte Contemporânea 2007 - selecionado com dois quadros

TRT e ADESG/ Rio de Janeiro/RJ

1. Salão da ADESG 2007 - Medalha de Ouro Naïf

Clube Militar - Rio de Janeiro / RJ

1. 55º Salão de Artes plásticas do Clube Militar - 2007 - Premiado

2. 57° Salão de Artes Plásticas do Clube Militar - 2009 -

Sindicato Nacional dos Artistas Plásticos em São Paulo - SINAP/AIAP

1. Salão de Artes Plásticas SINAP/AIAP 2007 - Premiado

Espaço Cultural do TRT/RJ

1. Salão "Vinhos e Vinhedos" 2007 - Associação Brasileira de Sommeliers - RJ- Premiado
2. Salão de Artes - 2009 - Liga da Defesa Nacional - RJ

Shopping Center Iguatemi SP - Espaço Iguatemi / São Paulo - SP

1. 2º Salão Internacional de Artes Visuais - SNAPESP/ AIAP - 2008 - São Paulo -SP - Premiado
2. 3º Salão Internacional de Artes Plásticas SINAP/AIAP 2009 - São Paulo - SP -

Château des Réaux- Exposition Internationale de Peinture / Concours - 2008 - Vale do Loire, França Selecionado - Aquisição

Galeria Pinacoteka - Teresópolis / RJ
1. Exposição Individual "Descoberta de Portugal" 2008

IV Festa Portuguesa de Cabo Frio / RJ
1. Exposição Individual "Descoberta de Portugal" 2008

Galeria Colorida - Lisboa - Portugal
1. Expsoição individual "Brasil, ingenuidade contaminada" 2009

Casa Manuel Teixeira Gomes - Portimão - Portugal
1. Exposição coletiva - Naïfs Brasileiros - 2011

2. Lançamento do Livro "Ingenuidade Consciente" - abril de 2011

Câmara Municipal de Góis - Portugal
1. Exposição do Góis Arte 2008 - "A Arte e a matemática"

Banco Real - Santander - Brasil
1. 10º Edição do Concurso Talentos da Maturidade - 2008
2. 11° Edição do Concurso Talentos da Maturidade - 2009
3. 12º Edição do concurso Talentos da Maturidade - 2010
4.

Secretaria Municipal de Cultura - São José do Rio Preto/SP
Salão de Artes Plásticas de São José do Rio Preto - Categoria pintura Naïf - 2009

Sociedade Valparaisense de Artistas Plásticos - SVAP
1. Coletiva SVAP - 2008

2. Coletiva SVAP - 2009

3. Coletiva SVAP - 2010

4. Coletiva SVAP - 2011

5. Coletiva SVAP - 2012

Museo del Calzado de Elda - Espanha

1. XXXI Certamen de Minicuadros - 2010 - Cidade de Elda/Espanha -Inscrito

Ateliê Casa dos Matarrachos do ceramista Sérgio amaral - Mangualde - Portugal

1. Lançamento do livro "Ingenuidade Consciente" - maio de 2011

Atelier Pièce Unique - St. Germain-en-Laye - França - Marché de l'Art/ junho de 2012

Exposições e Salões realizados em Brasília- DF

ASSEMCO/CODEVASF Brasília- DF

1. I Salão de Artes Plásticas- 1996

2. II Salão de Artes Plásticas- 1997 ( Premiado )


Picanhas do Sul- Espaço Cultural Brasília- DF

1. Mostra sem moldura- 1996

2. Exposição da Primavera- 1997

3. Mostra Comemorativa- 1997


Marinha do Brasil- Comando do 7º- Dist. Naval Brasília- DF

1. XXI Salão Brasília- Marinhas- 1996

2. XXII Salão Brasília- Marinhas- 1997

3. XIX Salão Riachuelo- 1997

4. XX Salão Riachuelo- 1998

5. XXV Salão Brasília – Marinhas – 2000

6. XXIII Salão Riachuelo – 2001 ( Premiado )

7. XXVI Salão Brasília- Marinhas - 2001 ( Premiado )

8. XXIV Salão Riachuelo – 2002

9. XXIV Salão Riachuelo – 2003

10. XXVIII Salão Brasília – Marinhas – 2003

11. XXV Salão Riachuelo – 2004

12. XXIX Salão Brasília Marinhas – 2004

13. XXVI Salão Riachuelo – 2005 ( Premiado )

14. XXX Salão Brasília Marinhas - 2005

15. XXVIII Salão Riachuelo - 2006 ( Premiado)

16. XXXI Salão Brasília Marinhas - 2006 ( Premiado )

17. XXIX Salão Riachuelo - 2007 ( Premiado )

18. XXXII Salão Brasília Marinhas - 2007 (Premiado)

19. XXX Salão Riachuelo -2008 (Hors Concours)

20. XXXIII Salão Brasília Marinhas - 2008 (Premiado)

21. XXXI Salão Riachuelo - 2009 ( Premiado)

22. XXXIV Salão Brasília-Marinhas - 2009

23. XXXII Salão Riachuelo - 2010


Cia. Des. Vales do São Francisco e do Parnaíba - Espaço Cultural CODEVASF - DF

1. Individual “Cotidiano Nordestino” 2000

2. Individual “Cotidiano Brasileiro” 2001

3. Individual “Rumo Reverso” 2002

4. Coletiva " Trabalhando com Arte" 2002

5. Individual " Rumo Reverso" 2004

6. Coletiva "Prata da Casa" 2007

7. Individual "Ingenuidade Consciente" - 2010

8. Lançamento do livro "Ingenuidade Cosnciente" - dezembro de 2010

9. Individual " Adeus Brasília" - janeiro 2013

10. Conjunta " Opostos, justapostos e compostos" - janeiro 2013

Justiça Federal Brasília- DF

1. Coletiva -“ Cotidiano Brasileiro” 2000

2. Individual - ” Cotidiano Brasileiro” 2001

Tribunal de Justiça do Distrito Federal Brasília- DF

1. Coletiva -“ Cotidiano Brasileiro” 2001


Tribunal Superior do Trabalho Brasília- DF

1. Coletiva –“ Casamento Luzes & Cores”2001

2. 2. Coletiva -" Três Pintores Brasilienses" 2003


Tribunal Regional Federal Brasília- DF

1. Coletiva –“ Casamento Luzes & Cores”2001


Superior Tribunal de Justiça Brasília- DF

1. Coletiva –“ Casamento Luzes e Cores”-2001


Galeria Athos Bulcão – Teatro Nacional de Brasília – DF

Promoção da Sociedade de Artistas Plásticos de Brasília.

1. Coletiva "Mostra de Artistas Plásticos do Distrito Federal" 2001

2. Coletiva "Mostra de Artistas Plásticos do Distrito Federal" 2002

3. Coletiva "Mostra de Artistas Plásticos do Distrito Federal" 2003

4. Coletiva “Mostra de Artistas Plásticos do Distrito Federal” 2004

5. Coletiva “Mostra de Artistas Plásticos do Distrito Federal” 2005

6. Coletiva "Aniversário do Park Way"- 2008

Espaço Cultural Casa das Artes - Brasília

1. Coletiva " Casamento Luzes e Cores" 2002

2. Individual "Ingenuidade Consciente" - 2010

3. Lançamento do livro "Ingenuidade Cosnciente" - dezembro de 2010


Espaço Cultural do PRODASEN Brasília- DF

1. Individual –“Rumo Reverso” 2002


Galeria Renato Russo - Espaço 508 Sul - DF

1. Coletiva " Mostra de Artistas Plásticos do DF" - 2002


Câmara dos Deputados - Brasília - DF

1. Individual " Rumo Reverso " - 2003 - Espaço do Servidor

2. Coletiva “ SESC - Tributo a Brasília “ – 2004 – Corredor de Acesso ao Plenário Ulysses Guimarães

3. Coletiva “ SESC – Tributo ao Povo Brasileiro” – Corredor Cultural - 2005

4. Coletiva "A Sociedade na Câmara", no espaço Cultural da Câmara dos Deputados, Julho de 2005

5. Coletiva " Prêmio SESC/DF de Pintura em Tela Cândido Portinari - 2007 - Anexo IV, Galeria 10º andar.

6. Coletiva " Artistas Brasileiros" Anexo IV , Galeria 10º Andar - 2012


ANATEL - Espaço Cultural - Brasília DF

1. Coletiva " Casamento Luzes e Cores " - 2003

Câmara Legislativa do DF - Corredor Cultural da Biblioteca - Brasília DF

1. Individual " Cotidiano Brasileiro " - 2002


Espaço Cultural da Aliança Francesa de Brasília- DF

1. Coletiva " Encontro Artistas Franceses e Brasileiros" - 2002

2. Coletiva " Casamento Luzes e Cores "- 2003


Espaço UPIS de Arte e Cultura

1. Individual " Cotidiano Brasileiro" – 2003

2. Retrospectiva Coletiva de artistas – 2005

3. Bienal de Brasília - 2009

4. Palestra sobre o tema : Arte Naïf 2009


SESC 504 Sul – Brasília DF

1. Salão “ Tributo a Brasília” – 2004 ( Premiado)

2. Salão “ Tributo ao Homem Brasileiro” – 2005 ( Selecionado)

3. Salão "Cândido Portinari" - 2007 (Premiado)

4. Membro Jurado do Salão "Cândido Portinari " - 2009

Galeria de Artes Parlamundi LBV – Brasília – DF

1. Coletiva “Brasília Mostra a Cara” – 2005

2. Coletiva "Sol, Arte, Alegria e Grama" - Comemorativa 46 anos de Brasília -2006

3. Coletiva "Só Francisco" - Comemorativa ao aniversário da LBV Brasília - 2006

4. Coletiva "Artistas de Brasília" - 2006

5. Coletiva "Pequenos Formatos" - 2008

6. Individual "Tudo Isto é Fado... a descoberta de Portugal" - 2008

7. Coletiva "Gallery Art Brazil II" - 2009

8. Coletiva "Pipas" - 2010

Mezanino da Sala Villa Lobos - Teatro Nacional - Brasília DF

1. Coletiva "Cores do Carnaval" - 2006

Museu de Artes de Brasília

1. Coletiva PANORAMA BRASILIA DE ARTES VISUAIS - 2006

Espaço Cultural da Faculdade Michelangelo - Brasília- DF

1. Individual "Um Olhar Ingenuamente Brasileiro" - 2006

Referência Galeria de Artes - Casa Park - Brasília /DF

1. Exposição Coletiva "Pela Vida Pela Paz" - 2009

Caleria Píccola I - Caixa Cultural de Brasília e ACAV

1. Exposição coletiva Brasília Noite & Dia - 2010

Academia de Polícia Militar de Brasília

1. Exposição coletiva Luzes e Cores na Academia -2010

2. Palestras sobre o tema Arte Naïf - 2010

Salão Branco do Palácio do Buriti- ABACH – Academia Brasileira de Arte, Cultura e Historia

1. Exposição coletiva Brasília Noite & Dia- 2011

Associação Candanga de Artistas Visuais - ACAV

1- Mostra Anual ACAV - 2011 - Clube Naval de Brasília

2- Mostra itinerante - Brasília Noite e Dia" 2011/ 2012/ 2013


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